Fandango Caiçara

PB389fandangoO Fandango Caiçara é um gênero musical e coreográfico, que é associado ao modo de vida dos caiçaras. Se define em divertimento, religiosidade, música, dança, saberes e fazeres. Sua prática está relacionada ao trabalho coletivo como nas puxadas de rede, em mutirões e puxirões (roçar, derrubar, cavar, plantar roças). O vizinho beneficiado oferece em troca, o fandango à noite com comida farta, onde as pessoas se reúnem para um baile, com danças regionais. Além dos mutirões, o fandango caiçara está presente em várias festas religiosas e, especialmente, no carnaval durante os quatro dias de festa. O Fandango Caiçara se classifica em batido e bailado ou valsado, essas diferenças se definem pelos versos e toques. Nos bailes de fandango, se estabelecem trocas e diálogos entre gerações, relembram modas e passos, facilitando a memória e prática das diferentes danças. Envolve diversas formas de execução dos instrumentos musicais, melodias, versos e coreografias. A formação instrumental básica normalmente é composta por dois tocadores de viola, que cantam as melodias em intervalos de terças e por um tocador de rabeca, chamado de rabequeiro. Cada forma musical, definida pelos violeiros, é chamada de moda, e possui toques e danças específicas, que se dividem, basicamente, em duas categorias: os valsados ou bailados – dançados em pares por homens e mulheres, com coreografias específicas. Cuja área de ocorrência abrange o litoral sul do estado de São Paulo e o litoral norte do estado do Paraná. Em 2011 o Fandango foi agraciado, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como o primeiro bem imaterial do sul do Brasil por suas características particulares das culturas que colonizaram as regiões do litoral sul paulista e paranaense. (Auto(a):Vanessa Honorato)

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CAMINHOS FECHADOS: COERÇÃO AOS MEIOS DE VIDA COMO FORMA DE EXPULSÃO DOS CAIÇARAS DA JUREIA

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Texto será publicado em breve pelo IPDMS (Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais)

Rodrigo Ribeiro de Castro[1]

Roberto Sanches Rezende[2]

Mauro William Barbosa de Almeida[3]

Resumo

Esse artigo trata das restrições impostas sobre os Caiçaras tradicionalmente residentes na região onde hoje se encontra a Estação Ecológica Jureia-Itatins (EEJI) – chamada aqui simplesmente de Jureia –, sob administração da Fundação Florestal do Estado de São Paulo, e cujo resultado tem sido a expulsão paulatina de famílias de territórios habitados pacificamente pelo menos há 150 anos. Mostramos como a Jureia se tornou uma região de conflito social e jurídico, causado por políticas de conservação da natureza com base cientifica discutível, que desconsideram os direitos de povos e comunidades tradicionais reconhecidos pelo Estado brasileiro, e por um aparato institucional autoritário que priva os moradores de direitos básicos de cidadania, como o acesso à escola para crianças. Chamamos também a atenção para o método de expulsão lenta e gradual pela restrição do acesso aos meios de vida. Desta forma, se oculta a realidade da expulsão de comunidades de territórios tradicionalmente ocupados, e se dificulta a formação de um debate público amplo sobre a relação entre a conservação de territórios de grande importância ambiental e o futuro de comunidades que habitaram secularmente esses territórios sem prejuízo de sua integridade. Além do mais, a permanência ou não das famílias na região tem sido pautadas por decisões do estado, o qual está informado por uma corrente científica restrita que se transformou em movimento político.

Palavras-chave: meios de vida; povos e comunidades tradicionais; conflitos territoriais, conservação ambiental; caiçaras; Jureia. 

[1]          . Rodrigo Ribeiro de Castro é mestrando do Programa de Antropologia Social do IFCH-UNICAMP e membro do LATA.

[2]          . Roberto Rezende é doutorando do Programa de Antropologia Social do IFCH-UNICAMP e membro do LATA, Laboratório de Antropologia Territórios e Ambientes, grupo de pesquisa vinculado ao Centro de Estudos Rurais (CERES) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH).

[3]          . Mauro W. B. de Almeida é professor-colaborador (aposentado) do departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), membro do CERES e do LATA

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I Encontro de Educação Popular e Cultura Caiçara na AJJ – Iguape/SP

Breve Relato do Encontro 

Na tarde de sábado, dia 11 de julho de 2015, aconteceu o I Encontro de Educação Popular na AJJ/Barra do Ribeira/Iguape. Tocado pelo aroma do café no bule e do saboroso bolo de roda partilhado em torno do fogão a lenha, o encontro foi iniciado com a mediação da caiçara, monitora ambiental e pedagoga Adriana Lima do bairro do Guaraú/Peruíbe que chamou Dauro Marcos do Prado e Helder dos Santos de Oliveira para compor a mesa no primeiro momento da discussão.

Com a palavra, Dauro que é caiçara, educador popular, integrante da União dos Moradores da Jureia – UMJ e membro titular da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT)  discorreu a respeito da educação Popular que acontece nas comunidades tradicionais da Jureia desde a criação da Estação Ecológica da Juréia em 1986. Lembrou do movimento de criação da Escola Caiçara da Juréia – ECJ e a parceria que, entre outros, contou com a participação ativa das educadoras da UNICAMP, Alik Wunder, Luiza Alonso e do professor Antonio Carlos Diegues Sant’Ana, NUPAUB/USP. Disse ainda que a educação popular praticada pelos caiçaras constitui um espaço de resistência diante do racismo ambiental que é propagado pelas políticas ambientalistas que vem ao longo das décadas vem restringindo o modo de vida caiçara.

Quanto à fala do professor Helder, caiçara de coração, residente no município de Cananéia e conselheiro da APEOESP- Vale do Ribeira (OPOSIÇÃO), versou sobre a intencionalidade política da educação pública, mas citando a os artigos da LDB, disse da possibilita que a comunidade tem de participar do espaço escolar para garantir a realização da educação diferenciada através da discussão junto à elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola. Enfatizou ainda que o trabalho que a Ajj vem desenvolvendo é fundamenta para a resistência e permanência das comunidades nos territórios da Jureia lembrando, como exemplo, a Cachoeira do Guilherme que hoje vive abandonada.

Na conclusão do primeiro momento, a vice-diretora da Escola Estadual Sebastiana Muniz Paiva, professora Silvia, comentou sobre o trabalho que vem desenvolvendo na escola, junto à gestão escolar, sobretudo na escola da família, onde tem se esforçado para que a comunidade tenha mais presença e ação junto ao espaço escolar, mas reconhece a dificuldade. Falou ainda que a AJJ tem contribuído com as atividades educacionais bem como outras instituições do bairro. José Mário (Major), pescador, pedreiro, educador popular, biólogo, vice- presidente da UMJ também fez considerações e testemunhou sua experiência enquanto monitor ambiental na Barra do Ribeira pela extinta Associação de Monitores Ambientais de Iguape- AMAI quando conheceu a professora Alik Wunder que interagiu no processo e relatou a experiência na sua dissertação de mestrado pela UNICAMP intitulada “ Encontro das Águas na Barra do Ribeira: Imagens entre experiência e identidades na escola.

Durante o intervalo do café foi apresentada a exposição “ Retratos caiçaras” desenvolvida em parceria entre a UFSCAR e a AJJ como parte integrante da dissertação do professor Paulinho coma orientação da professora Dulce. No segundo momento e também no primeiro, foi apresentado vídeos sobre a história da AJJ e do projeto Criqué Caiçara. Em seguida, a mediadora Adriana chamou para compor a mesa o professor Paulinho e a Professora Dra. Dulcinéia de Fátima Ferreira Pereira (professora Dulce), sua orientadora de mestrado pela Universidade Federal de São Carlos- campus de Sorocaba.

A fala do professor Paulinho foi orientada pelo seu percurso como educador na Escola Caiçara da Jureia que teve inicio em 2003. Após o fechamento da escola na Cachoeira do Guilherme em 2004, continuou seu trabalho docente nas escolas estaduais do município de Iguape e Ilha Comprida (entre elas a Escola Sebastiana Muniz Paiva onde continua atuando) também como educador popular pela AJJ. Mediando a educação formal e não-formal, o professor Paulinho atuou, a partir de 2006, na gestão do Ponto de Cultura da AJJ onde nasceu a ideia da oficina de fandango. Levando as atividades oficineiras para as escolas, com objetivos discutir a cultura caiçara e o fortalecimento da identidade local, nasceu a ideia de sistematizar o projeto em pesquisa de mestrado. Com apoio da AJJ, o professor Paulinho pesquisou durante dois anos a experiência da oficina de fandango como vivência de educação popular que contou com a orientação da professora Dulce.

Fechando a fala do segundo momento, a professora Dulce, mineira, sensível às cosias simples da vida, compartilhou sua experiência de professora da UFSCAR-Sorocaba. Em sua explanação, sobre sua experiência com educação popular, relatou o processo de orientação da pesquisa do professor Paulinho, sua opção pela cultura caiçara de coração e enfatizou a importância da pesquisa realizada junto a AJJ para resistir a lógica do capital que torna desacreditada a vida. Disse ainda que, conforme Paulo Freire, a educação é política e que a escola pública tem sua intencionalidade e que por isso dificulta a ação daquilo que não esteja dentro da ideologia do Estado, mas que é necessário abrir brechas para valorizar e trabalhar os saberes populares. Citando Carlos Brandão, em seu livro pesquisa participante, a professora Dulce falou também dos “meios gritos” que junto formam o “grito inteirado” o que ela comparou com o trabalho que vem sendo desenvolvido pela AJJ. Por fim, colocou-se a disposição para contribuir no fortalecimento da discussão sobre Educação Popular entre AJJ e a Universidade.

Após o encerramento das falas, abriu-se o espaço para fala do grupo. André Luiz (Leco), ex-monitor ambiental pela AMAI , advogado e mestre em direito ambiental, fez suas considerações a respeito de sua experiência com educação ambiental na Escola Estadual Sebastiana Muniz Paiva de onde partiu para seus estudos superiores.

Na sequência houve outros questionamentos que foram levantados pelo pesquisador Rodrigo da Unicamp sobre o futuro da Escola Caiçara da Jureia e de como trabalhar a educação popular no âmbito regional, lembrado por Major.

Enquanto encaminhamento foi pré-combinado o II Encontro de Educação Popular para dia 19 de setembro de 2015 na comunidade caiçara do Grajaúna/Jureia. O professor Paulinho ficou responsável de dar continuidade ao diálogo através dos contatos registrados em lista de presença e também de providenciar a certificação do encontro.

Por fim, o I Encontro de Educação Popular na AJJ teve como objetivo apresentar a comunidade o resultado da pesquisa de mestrado e lançar novos olhares sobre os saberes da Cultura Caiçara da Juréia.

Comunicação AJJ.

Barra do Ribeira, 13 de julho de 2015.

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I Encontro de Educação Popular e Cultura Caiçara na AJJ

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Exposição Fotográfica: “Retratos Caiçara”

Convite!

Período: 27/04 a 16/05/2015 – 9h às 17h

Está acontecendo no Núcleo de Extensão, Educação, Tecnologia e Cultura (ETC) da UFSCar

Sorocaba uma exposição fotográfica que mostra o modo de vida caiçara.

A mostra fotográfica “Retratos Caiçara” é fruto de um diálogo entre ensino, pesquisa e extensão. Nasceu durante uma pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd-UFSCar Sorocaba), vinculado ao Departamento de Ciências Humanas e
Educação (DCHE), realizada pelo discente Paulo Cesar Franco, sob a orientação da Profa. Dra. Dulcinéia de Fátima Ferreira. A pesquisa teve como objetivo cartografar a cultura caiçara nas comunidades tradicionais da Juréia/Iguape, Vale do Ribeira, Litoral Sul de São Paulo. Durante esse percurso, procurou-se desenhar as paisagens a partir de elementos que revelam a diversidade e a potencialidade dos saberes presentes nesse território: o mutirão para plantio da roça de mandioca, a festa de fandango, os saberes dos mestres artesãos, a pesca da manjuba, as comidas típicas, a viola branca.

A exposição contou com o apoio da Pró Reitoria de Extensão da UFSCar.

Fica o convite para um mergulho no modo de vida caiçara.

O Núcleo ETC está localizado na rua Maria Cinto de Biaggi, 130 – Santa Rosália, Sorocaba-SP

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Assembléia Geral Ordinária para eleição e posse da nova diretoria.

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