A insegurança continua a assombrar a Comunidade do Grajaúna após acordo assinado em ata com a Fundação Florestal.

Comunidade Caiçara espera que acordo seja cumprido até os estudos sejam realizados.

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No dia 17 de agosto a comunidade Caiçara do litoral sul de São Paulo e apoiadores se mobilizaram para apoiar as reivindicações do Sr. Onésio do Prado e ocuparam o Alojamento de pesquisa e fiscalização do Grajaúna – Estação Ecológica Jureia-Itatíns, Isso ocorreu após a Associação representativa das comunidades ter encaminhado oficio ao gestor da Unidade de Conservação solicitando intervenção para paralisar uma construção que fecharia a passagem de servidão do Sr. Onésio do Prado na comunidade do Grajaúna. O oficio foi enviado também a secretaria do Meio Ambiente e Fundação Florestal e após 10 dias ainda não tinham nenhum retorno, mas os materiais de construção continuavam chegando, as linhas esticadas, a vala para fundação já estavam prontas, a empreiteira contratada e a equipe permaneciam a trabalhar no local.

Dessa maneira a comunidade entendeu que a qualquer a momento ergueriam as colunas e que precisavam impedir logo no inicio, tendo em vista que depois de construída a edificação seria mais difícil negociar, pois já é bem conhecida pela comunidade a forma com que são impostos os projetos criados pela Fundação Florestal, no que diz respeito a falta de capacidade dessa instituição em construir projetos compatíveis e previamente acordados com a comunidade em que serão realizados.

Foi uma semana de intensa negociação, primeiro vieram os gestores que trabalham a mais de 20 anos na região os Srs. Otto Hartung e Manoel Messias com intuito de fazer mediação, porém a comunidade pediu que viesse alguém com autonomia para decidir, tendo em vista que o Gestor da Estação Ecológica não havia comparecido e questionaram a sua ausência.

No dia seguinte veio o Arquiteto responsável pela obra o Sr. Paulo Brogiatto, os gestores do Mosaico da Juréia (Otto Hartung, Manoel Messias, Aruã Caetano e Sr. Murilo) acompanhados de seu gerente regional designado pela Fundação Florestal Sr. Mário Nunes, sendo estes enviados para resolver a questão, porém a queixa da comunidade permanecia, pois nenhum deles tinha autonomia para decidir sobre quaisquer mudanças propostas ou acordadas junto a comunidade. Após longo diálogo, foi encerrada a reunião onde foi lavrada uma ata da conversa para que fosse entregue ao Gerente do Litoral sul e Paranapanema o Sr. Celsaltino Silva Jr.

Nos próximos dias tudo ficou parado, a obra, a travessia de materiais e a comunidade continuara vigilante.

No dia 22 de agosto (sexta- feira) a comunidade do Grajaúna foi surpreendida com a chegada de uma equipe da Fundação Florestal composta pelos mesmos gestores que tinham comparecido anteriormente para mediação de conflitos causados pela obra, só que dessa vez acompanhados pelas Policias Militar e Civil, sob a ordem do Gerente Cesaltino Jr.

Considerando falta de capacidade da Fundação Florestal em negociar e considerar as reivindicações da comunidade e a maneira autoritária com que se posicionaram, ficou nítida que a intenção dessa instituição em aproveitar o contingente policial no local para intimidar a comunidade e impor seu autoritarismo. No ato a comunidade reivindicava um diálogo com gestores que tivessem poder de decisão, tendo em vista essa incapacidade por parte da Fundação Florestal, enviaram força armada ao local, como se as pessoas da comunidade que participavam do manifesto fossem bandidos.

A comunidade não intimidada, permaneceu no local, o Delegado da Policia Civil após ouvir uma contextualização da situação explicada pela comunidade, insistiu por algum tempo com o Gerente Regional e conseguiu falar com o Gerente do Litoral sul e Paranapanema, que acatou a proposta da comunidade, chegando num acordo mínimo que reza a reforma do alojamento em sua área que já encontra-se construída, retirando do projeto a ampliação. A obra foi interrompida até que haja estudos para possíveis mudanças no local, para formalizar o acordo foi lavrada uma ata onde todos os presentes assinaram, a mesma foi levada pelo Delegado.

Vale lembrar que os gestores presentes nesse ato policialesco, não quiseram em momento algum tentar o consenso, foram com a polícia pra mostrar a força do estado autoritário, mesmo em casos que não é do seu dever, e mostrar quem manda coagindo pessoas com reivindicações legítimas. Teve um gestor que ao ser questionado pela comunidade sobre a obra estar em local de curso de água e com fossa irregular, chegou a mencionar que quando a obra é de interesse público o Estado faz até em cima do morro.

Em paralelo a mobilização também tem um abaixo assinado pela internet e impressos, cartas de apoio, e solicitações de reuniões com a Fundação Florestal, que até o momento não se manifestou por escrito em resposta ao oficio da associação.

A mobilização também conquistou diversos apoios:

– Carta de apoio de Dr. Plácido Cali, historiador e Arqueólogo;

– Entrevista com a Drª Manuela Carneiro da Cunha, Antropóloga na rádio Brasil Atual;

– Oficio da defensoria publica solicitando reunião com a Fundação Florestal.

– Entrevista com Dauro Marcos do Prado, Filho do Sr. Onésio e Representante das comunidades Caiçaras na CNPCT- Comissão Nacional de Desenvolvimento sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais.

– Ofícios de apoio do Senador Suplicy e oficio solicitando reunião com a Fundação Florestal.

– Ofícios de apoio do Deputado Paulo Teixeira (PT)

– Ofícios do Deputado Carlos Gianazi (PSOL)

E diversas matérias em jornal local.

A comunidade continua preocupada, pois a situação não está resolvida por completo e a qualquer momento pode ser retomada a construção, nada está definido, apenas temporariamente paralisado, mas a comunidade sabe dos seus direitos e está organizada para lutar pelo seu território.

A comunidade quer que o alojamento seja transferido para outro local da Unidade de Conservação, já que a área é tão grande…

“Ainda tenho cisma do poder do estado, diz dona Nancy do Prado”

União dos Moradores da Juréia / Associação dos Jovens da Juréia

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Sobre ajjureia

"Sou fruto da necessidade de defender os direitos, de gerar alternativas para melhoria de vida e de resgatar e divulgar a riqueza da cultura tradicional caiçara".
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